Você com certeza já ouviu falar em sustentabilidade. Agora responda rápido: quantas rodas ela tem? Sustentabilidade, ao contrário da bicicleta, não se apoia em dois eixos. Acertou quem respondeu três rodas… Porque sustentabilidade, meus amigos, é um triciclo: não basta ser ecologicamente correto, é preciso ser socialmente justo e economicamente viável. Para ela andar, cada roda precisa girar também, se não nada sai do lugar.
Então, a palavrinha da vez, SUSTENTABILIDADE, diz respeito não só à adaptação e mitigação às mudanças climáticas, mas também oferecer oportunidades a todos, igualmente, sem distinção de classe. Pelo preço baixo e facilidade de aquisição, a bicicleta não só é economicamente viável para a maior parte da população brasileira, mas também economicamente justa por não fazer distinção de gênero, classe social, nem condição física. Pode ainda ser adaptada para ser usada por pessoas com necessidades especiais. Isso não só é inclusão social, é justiça social.
A bicicleta ainda leva as pessoas a lugares que elas nunca imaginaram, já pararam para pensar nisso? E isso nos lembra outra coisa… O turismo, mais especificamente o turismo de aventura. Segundo dados da EMBRATUR, o ecoturismo e o turismo de aventura crescem 10% a cada ano no país, e já respondem por 13% dos turistas estrangeiros que chegam ao Brasil.
Então, por que não usar a bicicleta para promover desenvolvimento sustentável para pequenas regiões desse nosso Brasil varonil? Nem todas as cidades possuem atrativos para todos os interesses turísticos, mas quase todas possuem atrativos aos cicloturistas. O
turista comum geralmente procura um destino, enquanto o cicloturista se interessa pelo percurso – todo lugar é seu destino.
Muitas cidades têm no turismo sua maior fonte de receita, mas mesmo aquelas que possuem sua economia baseada em outras vocações ou que não possuem uma vocação econômica específica – situação da maior parte dos municípios brasileiros – podem incrementa-la com a criação de atrativos turísticos e se beneficiarem do crescimento desse mercado. A Europa estima movimentar, durante às próximas duas décadas, cerca de 14 bilhões de euros por ano com o turismo de bicicleta, segundo a SUSTRANS, organização inglesa que trabalha em prol de uma mobilidade mais inteligente.
Que tal trazermos parte dessas divisas – de forma ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável – para regiões que precisam urgentemente se desenvolver de forma sustentável e encontrar novas atividades econômicas? Está lançado o desafio. E juntos, com certeza, poderemos achar um caminho… mas vamos todos de bicicleta!
Fonte: Revista Bicicleta, edição 05/01
Autora: Thais de Lima





