A clavícula é o primeiro osso no corpo humano a se formar, por volta da quinta semana de vida fetal. É também a única ligação óssea entre a cintura escapular e o esqueleto torácico, fornecendo uma conexão estável ao mecanismo braço-tronco. A clavícula contribui significativamente para a força e estabilidade do braço e da cintura escapular, especialmente em movimento acima do nível do ombro e no suporte do tronco quando este se horizontaliza, por exemplo, em um sprint. Além disso, serve de ponto de fixação de vários músculos; confere proteção esquelética para nervos e vasos sanguíneos; e, finalmente, auxilia na função respiratória. A clavícula é predominantemente suportada e estabilizada pelos ligamentos esternoclaviculares e acromioclaviculares.
As fraturas da clavícula estão entre as lesões esqueléticas mais frequentes do adulto, representando cerca de 35% de todas as fraturas da cintura escapular. Podem ser causadas por traumas diretos, indiretos e por fragilidade óssea (fraturas não-traumáticas por estresse). Em relação ao tipo de trauma, os mecanismos de lesão nas fraturas claviculares correspondem à queda sobre uma mão estendida; queda com impacto lateral, impulsionando o ombro e a escápula para baixo; e queda com impacto lateral indireto, comprimindo a clavícula através do seu eixo. As luxações acromioclaviculares e esternoclaviculares que são causadas pela ruptura dos ligamentos claviculares, completam as lesões traumáticas.
Logo após o trauma, o membro superior afetado deverá ser protegido e imobilizado com uma tipoia improvisada, até o atendimento por um ortopedista. Este vai avaliar o tipo de lesão e indicar o tratamento mais adequado, que poderá ser apenas uma imobilização, com ou sem redução (“colocar o osso no lugar”). O tratamento cirúrgico dependerá da gravidade da lesão (fraturas instáveis, muito desviadas ou muito anguladas podem ser cirúrgicas), mas se o paciente for atleta profissional, a cirurgia é prioritária.
A prevenção depende tanto da postura defensiva e cuidadosa do ciclista no trânsito caótico das cidades, quanto do seu comportamento no meio do pelotão ou nas trilhas. A técnica de pilotagem é fundamental, bem como o reflexo condicionado do “saber cair”, tal como os judocas que realizam treinamentos de quedas, para condicionarem os reflexos de amortecer o impacto com todo o membro superior, distribuindo a energia cinética da queda, promovendo sua dissipação gradual, sem concentrar o trauma em apenas um osso.
Fonte: Revista Bicicleta, edição 05/01
Autor: Dr. Franklin Passos de Araújo Júnior – CRM-BA 10.818
Membro titular da Soc. Brasileira de Ortopedia Pediátrica e da Soc. Brasileira de Ortopedia e Traumatologia





