Andar de bicicleta está ganhando terreno no espaço urbano. Muito mais do que um acessório para atividades de lazer ou esporte, tornou-se um meio de transporte simples e eficaz, que agora faz parte dos serviços de mobilidade. Para os usuários, é prático, econômico, ecológico e bom para a saúde.
Para os países que o adotam, através do desenvolvimento de uma infraestrutura para bicicletas, é quase sempre um investimento bem-sucedido. Precursores nesta área, os países escandinavos estão liderando o caminho por um bom tempo. Mas o entusiasmo para o ciclismo não tem limites e se espalha para o resto da Europa e no mundo. Sistemas de aluguel de bicicletas, desenvolvimento de ciclovias, gestão nas áreas de cruzamento, estacionamento seguro e outros serviços são iniciativas que se multiplicam para reforçar o papel da bicicleta na cidade e melhorar as condições de tráfego e segurança do usuário. Aqui, um zoom em algumas cidades exemplares.
Copenhague
Em 2011, a capital da Dinamarca hospedou o “Vélo-City Global”, um dos primeiros encontros internacionais entre especialistas e profissionais do ciclismo. Não é surpreendente quando se considera que todos os dias, apesar dos invernos rigorosos, 1,2 milhão de quilômetros são percorridos de bicicleta em Copenhague, e que 36% das pessoas pedalaram todos os dias? A meta do governo era superar 40% até o final de 2012 e 50% em 2015. Copenhague é também a única cidade europeia onde os táxis podem levar bicicletas, por um custo adicional.
Amsterdã
A sua topografia plana e clima moderado fizeram de Amsterdã uma cidade ideal para o ciclismo. Passaram-se 40 anos desde que a famosa bicicleta preta holandesa circulava pelas ruas aos milhares, apoiada por uma ambiciosa política nacional desde 1990. De acordo com a prefeitura da cidade, 85% dos cidadãos com mais de 12 anos possuem uma bicicleta.
Estrasburgo
Cidade pioneira na França quanto à mobilidade sustentável, é um exemplo por quase 30 anos. Hoje, há 500 km de ciclovias e a cada ano, 10 km são adicionadas às ruas. Nos parques públicos há 21 estacionamentos para bicicletas com 20 a 100 lugares cada, e alguns cruzamentos da cidade são equipados com placas para os ciclistas.
Berlim
A cidade é um paraíso para o ciclismo. Ciclovia é uma legião, e a maioria dos edifícios em Berlim são equipadas com “bicicletários”, especialmente após a renovação do leste da cidade. Da mesma forma, todos os trens, metrôs e bondes têm espaços reservados para bicicletas, com um bilhete adicional de 1,50 euro.
Londres
Depois de ter sido introduzido um pedágio para reduzir o tráfego automobilístico em Londres, foi lançado o seu sistema de alugar bikes. Este dispositivo tem 6.000 bicicletas e 315 estações. Custo de uma assinatura anual: 53 euros. Objetivo: “tornar-se a primeira cidade ciclística do mundo”, disse o prefeito, Boris Johnson, muito envolvido no projeto. O município pretende criar até 2015 uma dúzia de rodovias cicláveis para servir áreas mais remotas.
Barcelona
Operado por ClearChannel, o sistema de alugar bicicletas de Barcelona tem cerca de 6.000 bicicletas e 400 estações localizadas aproximadamente a cada 700 metros. Sua particularidade é que pelo serviço iBicing pode-se obter informações sobre a disponibilidade de bicicletas diretamente do celular. Basta enviar um SMS com o nome de uma estação, e o cliente recebe imediatamente uma mensagem com um número para destravar uma bicicleta.
Montreal
Depois de muitos anos favoráveis às bicicletas, a cidade canadense de Montreal deu um passo adiante em junho de 2009, com a implantação do sistema de bicicletas BIXI de serviço público, inspirado no Vélib, de Paris. São mais de 5.000 bicicletas em 400 estações. Uma assinatura anual custa 78 dólares canadenses. Este é o principal serviço de compartilhamento de bicicletas na América do Norte. Com seu sucesso, este conceito pode se espalhar para sete outras cidades dos EUA: Long Beach, San Diego, Salt Lake City, Aspen, Portland, Redwood City e São Francisco. Entretanto, é na capital, Quebec, que é realizado anualmente o “Festival de Cinema de Bicicleta”.
Tóquio
Nesta metrópole superlotada onde o trânsito já está altamente regulado, o ciclismo tende a se desenvolver. Como a cidade ainda não adotou um sistema de alugar bicicletas, ela inova com estacionamentos. Especialmente com o sistema Ecociclo, particularmente na estação Sakai-cho (1.440 espaços), há silos de armazenamento subterrâneos de bicicletas totalmente automatizados. Tal infraestrutura permite estacionar bicicletas de uma maneira segura e também libera espaço na calçada. Custa cerca de 50,00 reais por mês para o usuário. Além disso, duas estações de recarga para bicicletas elétricas foram instaladas no centro de Tóquio. Cada uma tem 40 bicicletas elétricas desenvolvidas pela Sanyo, as quais são alugadas por cerca de cinco reais a diária. Equipadas com uma bateria de lítio, essas bicicletas híbridas apelidadas de “eneloop” recarregam através de painéis solares instalados no telhado da estação.
Pequim
Sob o plano “Movimento Verde”, as autoridades de Pequim aumentaram a proporção de ciclistas nas ruas de 19,7% para 23% em 2012, a fim de liberar as vias e reduzir a poluição na capital chinesa. O sistema atual de alugar bicicletas representa cerca de 1.000 estações e mais de 50.000 bicicletas. Uma forma de combater o crescente número de carros particulares em uma cidade onde andar de bicicleta tem sido o principal meio de transporte.
Fonte: Revista Bicicleta, edição 18/02
Autor: Felipe Alves
Caderno: Mobilidade





