{"id":94,"date":"2012-12-06T18:01:43","date_gmt":"2012-12-06T18:01:43","guid":{"rendered":"http:\/\/dbike.org\/vdb\/?p=94"},"modified":"2014-06-25T21:26:31","modified_gmt":"2014-06-26T00:26:31","slug":"a-era-do-automovel-empacou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/a-era-do-automovel-empacou\/","title":{"rendered":"A Era do Autom\u00f3vel Empacou"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O empres\u00e1rio Tennyson Pinheiro, de 35 anos, usava o carro para ir de casa para seu escrit\u00f3rio, a 9 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, em 45 minutos. Achava isso normal, at\u00e9 passar dez dias em\u00a0Londres, em 2009. \u201cL\u00e1, todo mundo anda de metr\u00f4\u201d, diz. \u201cPercebi que tinha uma rede de transporte p\u00fablico\u00a0razo\u00e1vel em\u00a0S\u00e3o Paulo, e nem usava.\u201d Pinheiro e sua mulher, que n\u00e3o t\u00eam filhos, experimentaram deixar o carro na garagem por um m\u00eas. \u201cGostei tanto que vendi o carro\u201d, afirma. \u201cPagava caro para mant\u00ea-lo, vivia estressado e n\u00e3o me ligava \u00e0 cidade.\u201d Pinheiro n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Uma parcela cada vez maior dos jovens decide viver sem carro. \u201cH\u00e1 um paradoxo no\u00a0Brasil\u201d, diz Jo\u00e3o Cavalcanti, s\u00f3cio da consultoria de mercado Box 1824. \u201cNunca se comprou tanto carro, mas, ao mesmo tempo, o desejo por eles est\u00e1 caindo.\u201d De acordo com o consultor Bob Lutz, ex-vice-presidente de BMW, Ford, Chrysler e General Motors, a queda do interesse por autom\u00f3veis \u00e9 uma tend\u00eancia mundial. \u201cA sedu\u00e7\u00e3o do carro n\u00e3o faz mais sentido\u201d, afirmou a \u00c9POCA. \u201cDirigir ser\u00e1 um lazer exclu\u00eddo das cidades, como andar a cavalo.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/sUgihXTMGGMQV1uXD0lDV2dN_ewM14PWjDcc0AdIYnyI0h_OWovp--oXYH_GIsTP\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2012\/11\/23\/758_motor_da_historia_em_quatro_tempos.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"949\" \/>O paradoxo do Brasil, onde a venda de autom\u00f3veis cresce, e as pesquisas de mercado mostram a queda do interesse, se explica pela diversidade do pa\u00eds. A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea) afirma que a m\u00e9dia brasileira de 6,1 habitantes por carro ainda \u00e9 alta e dever\u00e1 cair \u00e0 metade at\u00e9 meados de 2020. O crescimento nas vendas \u00e9 puxado pela demanda reprimida das regi\u00f5es Norte e Nordeste. No Sul e no Sudeste, o aumento da frota passou a acompanhar o crescimento da popula\u00e7\u00e3o. Nessas regi\u00f5es, observa-se a queda de interesse pelos carros. Segundo a Pesquisa Origem e Destino, do Metr\u00f4, a rela\u00e7\u00e3o de carros por habitante em S\u00e3o Paulo manteve-se est\u00e1vel entre 1997 e 2007. Nesse per\u00edodo, o uso de transporte p\u00fablico subiu de 45% para 55%.<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O interesse do consumidor diminui \u00e0 medida que o autom\u00f3vel deixa de cumprir sua principal promessa: a mobilidade. Em 2009, a Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral publicou um estudo que afirma: o tr\u00e2nsito est\u00e1 \u00e0 beira do colapso no\u00a0Rio de Janeiro, em S\u00e3o Paulo,\u00a0Belo Horizonte\u00a0e\u00a0Porto Alegre. Os momentos de tr\u00e2nsito intenso se prolongam de tal forma que, em 2013, n\u00e3o haver\u00e1 mais calmaria entre os hor\u00e1rios de pico da manh\u00e3, da tarde e da noite. Os engarrafamentos tendem a se prolongar e virar uma coisa s\u00f3.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A imobilidade do autom\u00f3vel desafia o modelo de moradia importado dos\u00a0Estados Unidos, que virou sonho da classe m\u00e9dia brasileira a partir da d\u00e9cada de 1970, em bairros como Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ou Morumbi, em S\u00e3o Paulo: morar afastado do centro, numa casa ampla com mais de duas vagas na garagem. O novo sonho da classe m\u00e9dia \u00e9 viver perto do transporte p\u00fablico. Segundo a imobili\u00e1ria Lopes, 63% dos futuros lan\u00e7amentos residenciais em S\u00e3o Paulo estar\u00e3o a at\u00e9 1 quil\u00f4metro de uma esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4. \u201cEstar perto delas valoriza os im\u00f3veis em cerca de 20%\u201d, diz Mirella Parpinelli, diretora da Lopes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Nos Estados Unidos, os jovens est\u00e3o comprando menos carros, tirando carteira de habilita\u00e7\u00e3o mais tarde e dirigindo menos quil\u00f4metros. A fatia de mercado do p\u00fablico entre 21 e 34 anos encolheu de 38%, em 1985, para 27%, diz o instituto de pesquisas CNW. A Universidade de Michigan afirma que, em 2008, 18% da popula\u00e7\u00e3o entre 20 e 24 anos n\u00e3o tinha carteira de motorista \u2013 em 1983, esse \u00edndice era de apenas 8%. Segundo o grupo de estudos Frontier, a dist\u00e2ncia percorrida por motoristas entre 16 e 34 anos diminuiu 23%, entre 2001 e 2009. No mesmo per\u00edodo, o uso de bicicleta aumentou 24%. A queda do interesse por carros \u00e9, em parte, fruto da crise econ\u00f4mica. Na Espanha, a taxa de desemprego da popula\u00e7\u00e3o entre 16 e 24 anos alcan\u00e7ou 53%. A recess\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica respons\u00e1vel pelo decl\u00ednio dos carros. \u201cMesmo jovens empregados, ou de fam\u00edlias ricas, est\u00e3o dirigindo menos\u201d, afirma Tony Dutzig, respons\u00e1vel pelo estudo do Frontier. A General Motors encomendou uma pesquisa \u00e0 MTV Scratch, consultoria que estuda tend\u00eancias de consumo. Cerca de 3 mil jovens apontaram suas marcas favoritas, num universo de 31. Google e Nike lideraram a lista. Nenhuma montadora ficou entre as dez primeiras. Para Jim Lentz, presidente do departamento de vendas da Toyota nos Estados Unidos, o desapego juvenil veio para ficar. \u201cTemos de encarar a realidade crescente de que os jovens n\u00e3o parecem interessados em autom\u00f3veis, como eram as gera\u00e7\u00f5es anteriores\u201d, diz Lentz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A perda de interesse por ter um carro particular \u00e9 uma novidade hist\u00f3rica. Autom\u00f3veis viraram parte das fam\u00edlias de classe m\u00e9dia desde 1908, quando o americano Henry Ford lan\u00e7ou o Modelo T, vendido inicialmente por US$ 850 (US$ 21 mil, em valores de hoje). Antes do Ford T, carro era brinquedo de gente rica e exc\u00eantrica. Depois dele, tornou-se um produto de massa. \u201cFarei um carro grande o bastante para levar a fam\u00edlia, e pequeno o bastante para uma pessoa dirigir e cuidar\u201d, disse Ford, em seu livro &#8216;Minha Vida e Trabalho&#8217;. \u201cEle ter\u00e1 pre\u00e7o t\u00e3o baixo que todo homem de bom sal\u00e1rio ser\u00e1 capaz de ter.\u201d A produ\u00e7\u00e3o anual da Ford passou de 10 mil unidades, em 1908, para mais de 2 milh\u00f5es, em 1923. Hoje, o mundo tem cerca de 1 bilh\u00e3o de carros. A cada ano, s\u00e3o fabricados 60 milh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No s\u00e9culo XX, o autom\u00f3vel se tornou parte indissoci\u00e1vel da sociedade. \u201cPerguntar se os carros moldaram a cultura ou se a <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Gh94Z9H8F9RpdxLdSmCRF1WjCFvk9Zuajk2v7ar66d4k8iMAdAXLhXu6w17xC_80\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2012\/11\/23\/758_automovel_reducao_de_marcha.jpg\" alt=\"\" width=\"510\" height=\"921\" \/>cultura moldou os\u00a0carros \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o entre ovo e galinha\u201d, diz Paul Ingrassia, autor do livro &#8216;Engines of Change&#8217; (Motores de Mudan\u00e7a, in\u00e9dito no Brasil). A urbaniza\u00e7\u00e3o dos EUA foi sustentada pelo meio de transporte individual, com moradias distantes do centro da cidade, ligadas ao local de trabalho por vias largas. O Brasil acompanhou esse modelo ap\u00f3s a d\u00e9cada de 1940, abandonando o investimento em trens e bondes, em favor de ruas e avenidas para carros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No p\u00f3s-guerra, o carro se estabeleceu como instrumento de afirma\u00e7\u00e3o dos jovens, ao proporcionar liberdade, coes\u00e3o social e status. Esse papel foi registrado nas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. No livro\u00a0P\u00e9 na estrada\u00a0(1957), de Jack Kerouac, garotos cruzam os Estados Unidos num carro. No caminho, fazem amigos, descobrem o mundo e se descobrem. No filme\u00a0Juventude transviada, de 1955, James Stark, interpretado pelo ator James Dean, usa cal\u00e7a jeans, camiseta branca, fuma e tem um carro. Sentados num para-choque, ele e sua garota combinam nunca mais voltar para a casa de seus pais. Quando desperta a ira do l\u00edder de uma turma rival, Stark combina um duelo ao volante. Nas horas vagas, Dean era piloto. Morreu dirigindo seu Porsche Spyder, aos 24 anos, fundindo ator e personagem num mito da juventude eterna. O paradigma para os homens maduros surgiu em 1962, nos filmes de\u00a0James Bond. O agente 007 usava terno e gravata, fumava cigarro, dirigia um Aston Martin e tinha mulheres a seus p\u00e9s. James Dean e James Bond personificaram o padr\u00e3o ocidental de sucesso masculino. \u201cUm homem com mais de 26 anos, dentro de um \u00f4nibus, pode se considerar um fracassado\u201d, disse Margaret Thatcher, em 1986, quando era primeira-ministra do\u00a0Reino Unido.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A frase de Thatcher tende a virar um registro de uma era que passou. A fuma\u00e7a dos autom\u00f3veis, com seu motor a combust\u00e3o, segue caminho semelhante ao da fuma\u00e7a dos cigarros. Assim como o cigarro virou alvo de campanhas que apontam o fumo como causa de doen\u00e7as, o carro foi eleito um dos grandes culpados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A causa ambiental ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio\u00a0Uma verdade inconveniente\u00a0(2006), do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, e da realiza\u00e7\u00e3o do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), da\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em 2007. O documento da ONU afirma que o transporte rodovi\u00e1rio responde por 24% das emiss\u00f5es de CO2 nos Estados Unidos e 22% na Europa. A condena\u00e7\u00e3o do carro coincidiu com a emerg\u00eancia dos artigos eletr\u00f4nicos, como smartphones e tablets, como sonho de consumo. Eles cumprem pap\u00e9is historicamente atribu\u00eddos aos carros: encurtam dist\u00e2ncias e exprimem a individualidade de seu dono. Sua constante inova\u00e7\u00e3o confere status social \u00e0queles que compram o \u00faltimo modelo. \u201cMuitos jovens preferem comprar smartphones a tirar habilita\u00e7\u00e3o\u201d, diz Tony Dutzik, pesquisador do Frontier. \u201cEles reduzem a necessidade de locomo\u00e7\u00e3o, para manter contato on-line com os amigos.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Formas de uso mais flex\u00edvel dos meios de transporte tamb\u00e9m come\u00e7am a se afirmar. Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo adotaram sistemas de aluguel de bicicletas, seguindo o modelo do programa V\u00e9lib, de\u00a0Paris.\u00a0Los Angeles, cidade americana historicamente devotada ao autom\u00f3vel particular, est\u00e1 implantando corredores de \u00f4nibus r\u00e1pido, com faixas exclusivas, como em Curitiba, no Paran\u00e1, e Bogot\u00e1, na Col\u00f4mbia. O ciclista deixa sua bicicleta num rack, \u00e0 frente do \u00f4nibus, e sai pedalando de qualquer ponto. Em S\u00e3o Paulo, a empresa Zazcar aluga carros por fra\u00e7\u00f5es do dia, debit\u00e1veis de um cart\u00e3o pr\u00e9-pago. A inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 a empresa Zipcar. Fundada em 2000, nos Estados Unidos, a Zipcar tem cerca de 770 mil clientes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A ind\u00fastria do autom\u00f3vel est\u00e1 reagindo. A nova tend\u00eancia entre as montadoras \u00e9 tentar se afirmar como empresas de mobilidade, em que o carro \u00e9 uma entre v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es. O Sal\u00e3o do Autom\u00f3vel de S\u00e3o Paulo foi um sinal da mudan\u00e7a de ares. Nunca o evento teve tantas bicicletas quanto na 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o, encerrada em novembro. Foram ao menos 12, presentes no estande de nove montadoras. Estavam ali para enfeitar carros de apelo jovem, como o jipe EcoSport, mas n\u00e3o s\u00f3 por isso. \u201cDependendo da aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, passaremos a vender nossa bicicleta el\u00e9trica no Brasil\u201d, diz Oswaldo Ramos, diretor de marketing da Ford. \u201cEla \u00e9 importante para fortalecer nossa imagem.\u201d Na\u00a0Europa, a BMW lan\u00e7ou um aplicativo de smartphone que mostra a maneira mais r\u00e1pida para ir de um lugar a outro. Por vezes, o roteiro prop\u00f5e estacionar o carro e pegar um trem. \u201cA marca BMW tem a ver com efici\u00eancia e prazer\u201d, diz Henning Dornbusch, presidente da BMW do Brasil. \u201cQueremos proporcionar isso, mesmo se a locomo\u00e7\u00e3o mais eficiente e prazerosa n\u00e3o incluir o carro.\u201d A empresa implantar\u00e1 na Alemanha um projeto de compartilhamento de garagens. Quem mora no bairro A e trabalha no bairro B poder\u00e1 trocar de vaga, durante o expediente, com quem faz o caminho contr\u00e1rio. \u201cQueremos incentivar o melhor uso do espa\u00e7o\u201d, diz Dornbusch.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/hnW2FkZYWPSrPDGikZ4mxMBhtsl1rDaqpjGwfOQ2k_z2KCr99BpgRV-uv7gWVFSK\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2012\/11\/23\/758_guerra_das_estrelas.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"216\" \/><p class=\"wp-caption-text\">(Foto: Don Hogan Charles\/The New York Times e London Entertainment\/Splash News)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><label><strong><span style=\"color: #008080;\">GUERRA DAS ESTRELAS<\/span><\/strong><br \/>O ator Arnold Schwarzenegger (\u00e0 esquerda) num Hummer. Ele chegou a ter sete na garagem. Harrison Ford (\u00e0 direita) e seu Prius.<\/label><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A oferta de carros h\u00edbridos e el\u00e9tricos \u00e9 outra resposta da ind\u00fastria automobil\u00edstica \u00e0s cr\u00edticas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o. O exemplo mais bem-sucedido \u00e9 o Prius, lan\u00e7ado pela Toyota em 1997. Em baixas velocidades, ele usa um motor el\u00e9trico, sem emitir fuma\u00e7a. Um pequeno motor a gasolina \u00e9 acionado em altas velocidades e para recarregar as baterias. O uso combinado permite ao carro rodar a m\u00e9dia de 20 quil\u00f4metros por litro de gasolina, metade do consumo de um Toyota Corolla. O Prius era (e \u00e9)\u00a0caro, como foram outras tentativas de fugir ao tradicional motor a combust\u00e3o. Segundo o jornal\u00a0The New York Times, a economia de combust\u00edvel de um carro h\u00edbrido leva oito anos para compensar o maior investimento na compra. O Prius deu certo ao se firmar como alternativa ecologicamente correta em oposi\u00e7\u00e3o aos Hummers \u2013 jip\u00f5es capazes de escalar paredes, com consumo na casa de 6 quil\u00f4metros por litro. A diferen\u00e7a entre os dois mundos foi registrada pelo\u00a0The New York Times\u00a0na festa <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/NWZhTCMvAuREoVtp7zGspim8VpreahhrF829CzRXz9DfFlTogi9EQAEK6_6Ru89N\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2012\/11\/23\/758_so_os_mais_frugais_sobrevivem.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"400\" \/>do Oscar de 2004. \u201cHugh Hefner (o j\u00e1 decadente fundador da revista Playboy) chegou num Hummer\u201d, disse o jornal. \u201cTom Hanks chegou de Prius.\u201d Em janeiro, a Toyota lan\u00e7ar\u00e1 o Prius no Brasil. N\u00e3o \u00e9 uma aposta no escuro. No ano passado, a Ford vendeu no pa\u00eds 200 unidades da vers\u00e3o h\u00edbrida do Fusion, por R$ 130 mil \u2013 60% mais que o modelo comum.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif;\">Motores menos poluentes reduzem o impacto ecol\u00f3gico do carro, mas n\u00e3o alteram seu impacto no espa\u00e7o. Em sil\u00eancio, e sem emitir fuma\u00e7a, o motorista de um h\u00edbrido continuar\u00e1 limitado pelo tr\u00e1fego e pelas leis de tr\u00e2nsito. No futuro, aqueles que amam dirigir r\u00e1pido, como nos filmes de James Dean e James Bond, encontrar\u00e3o sa\u00edda em lugares fechados. Os condom\u00ednios aut\u00f3dromos j\u00e1 existem nos Estados Unidos. Em breve chegar\u00e3o ao Brasil. Em vez de campo de golfe ou haras, a atra\u00e7\u00e3o principal ser\u00e1 uma pista de corrida, que ocupa uma grande extens\u00e3o do terreno, cercado por casas. Uma imobili\u00e1ria planeja lan\u00e7ar um assim, no interior de S\u00e3o Paulo, assinado pelo ex-bicampe\u00e3o de F\u00f3rmula 1 Emerson Fittipaldi. Cada vez menos agrad\u00e1vel nas cidades, o carro particular poder\u00e1 um dia deixar de ser um meio de transporte para voltar a ser um mero brinquedo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mobilize.org.br\/noticias\/3217\/a-era-do-automovel-empacou.html\">\u00c9poca S\u00e3o Paulo<br \/><\/a>Autor: Marcelo Moura e Isabella Ayub<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">O empres\u00e1rio Tennyson Pinheiro, de 35 anos, usava o carro para ir de casa para seu escrit\u00f3rio, a 9 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, em 45 minutos. 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