{"id":81,"date":"2012-11-13T17:36:59","date_gmt":"2012-11-13T17:36:59","guid":{"rendered":"http:\/\/dbike.org\/vdb\/?p=81"},"modified":"2014-06-18T23:39:29","modified_gmt":"2014-06-19T02:39:29","slug":"cicloturismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/cicloturismo\/","title":{"rendered":"Cicloturismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A Uni\u00e3o de dois Prazeres.<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Experimentei com uma mochila nas costas, durante 30 dias&#8230; Carregar minha pr\u00f3pria casa comigo. Descobri que necessitamos de pouco. Depois de muito pedalar, a bicicleta demonstrou a mesma coisa: paz! Na\u00a0verdade, o que mais necessitamos \u00e9 da vontade e essa n\u00e3o pesa nada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Come\u00e7amos a nos embebedar com as vistas, os horizontes, os sons, os elementos nos tocando devagar conforme o tempo que passamos a dominar,\u00a0pois deixamos de existir para os sistemas, sejam eles quais forem.\u00a0N\u00e3o importa qual a raz\u00e3o que move o ciclista a pedalar. Importa que o tempo, esse mesmo que n\u00e3o toma conhecimento da gente, da bicicleta se\u00a0v\u00ea diferente. Pedalar \u00e9 conquistar o dia sem venc\u00ea-lo, \u00e9 dormir o sono justo para outra peleja, \u00e9 ser senhor sem dominar&#8230; \u00c9 conversar com Deus em particular.&#8221; (Edgardo Jorge Sanrame)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Uma viagem \u00e9 muito mais que um destino. H\u00e1 o percurso, t\u00e3o ou at\u00e9 mais importante. Desfrut\u00e1-lo \u00e9 uma arte para os que praticam o cicloturismo. Em uma viagem de bicicleta, todo lugar \u00e9 vivenciado em\u00a0esplendor, e a recep\u00e7\u00e3o \u00e9 calorosa. &#8220;Acabei de descobrir essa paix\u00e3o&#8221;, revela Marco Martins, mineiro de Belo Horizonte que recentemente encarou o desafio de conhecer a Su\u00ed\u00e7a de bicicleta. &#8220;Viajar sempre\u00a0encanta por conta da novidade do local e por ser um momento de lazer. Com a bicicleta, voc\u00ea conhece muito mais e as pessoas ficam muito mais receptivas a uma turma viajando de bike, que uma turma viajando\u00a0dentro de um carro. O que me fez decidir viajar de bike foi justamente o fato de querer conhecer outro pa\u00eds de leste a oeste, cada cent\u00edmetro, reparar nas casas, nas pessoas, como eles vivem no dia a dia, e\u00a0n\u00e3o conhecer s\u00f3 os points e os aeroportos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Deparar-se com situa\u00e7\u00f5es inusitadas, diferente daquelas do cotidiano, conhecer novas pessoas&#8230; Cruzar fronteiras expande nosso conhecimento de mundo e de n\u00f3s mesmos. Sempre realizamos uma partilha justa com\u00a0o caminho e seus peregrinos, e lucramos igualmente com isso. Expandir os horizontes, n\u00e3o s\u00f3 geogr\u00e1ficos mas tamb\u00e9m da mente, \u00e9 a recompensa para quem n\u00e3o se acomoda em ficar, e parte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt; color: #008080;\">Mas afinal, o que \u00e9 cicloturismo?<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A palavra cicloturismo \u00e9 formada pelos voc\u00e1bulos &#8220;ciclo&#8221;; do grego kyklos, que significa roda e neste caso est\u00e1 claramente relacionada com a bicicleta (biciclo, duas rodas), e&#8221;turismo&#8221;, do latim tourns, cujo significado \u00e9 viagem ou movimento de sair e retornar ao local de partida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O turismo, tal como o conhecemos hoje, iniciou e se desenvolveu no s\u00e9culo XIX, acompanhando o avan\u00e7o do capitalismo na Europa Ocidental e na Am\u00e9rica do Norte. Depois das duas guerras mundiais, a atividade\u00a0expandiu e diversificou. Uma das mais importantes defini\u00e7\u00f5es de turismo foi dada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Turismo, em 1993: &#8220;as atividades realizadas pelas pessoas durante viagens e perman\u00eancia em lugares\u00a0diferentes do seu local de resid\u00eancia habitual, por um per\u00edodo de tempo consecutivo inferior a um ano, para \u00f3cio, neg\u00f3cios e outras finalidades.&#8221; Esta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 mais abrangente, pois concede import\u00e2ncia ao\u00a0deslocamento para algum lugar, desconsiderando os habituais (o deslocamento dos trabalhadores e estudantes, por exemplo), para diversos fins, englobando assim n\u00e3o apenas o turismo para descanso ou divers\u00e3o,\u00a0mas tamb\u00e9m o turismo de neg\u00f3cios, turismo de sa\u00fade, etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;Poder\u00edamos dizer, ent\u00e3o, que cicloturismo nada mais \u00e9 que fazer turismo utilizando como ve\u00edculo a bicicleta&#8221;, afirma Antonio Olinto Ferreira, que se formou em direito pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1, em 1990, e come\u00e7ou a pedalar para aliviar o peso das responsabilidades da profiss\u00e3o (e da barriga, t\u00edpica dos executivos, que come\u00e7ava a crescer). Em 1993, Olinto deu a volta ao mundo de bicicleta, percorrendo 34 pa\u00edses durante tr\u00eas anos e meio. Hoje, \u00e9 uma das figuras mais importantes do cicloturismo nacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;Desta forma, toda a responsabilidade do conceito est\u00e1 na palavra turismo. Vejamos: um paulistano pode fazer turismo em S\u00e3o Paulo e teoricamente poder\u00e1 fazer cicloturismo em sua pr\u00f3pria cidade ou arredores,\u00a0entretanto, a meu ver, a melhor descri\u00e7\u00e3o para esta atividade seria passeio de bicicleta. Assim como o estado de esp\u00edrito e a inten\u00e7\u00e3o diferenciam um turista que faz um circuito de A para B em bicicleta de\u00a0um entregador de jornais que faz o mesmo trajeto, a relativa dist\u00e2ncia tamb\u00e9m faz a diferen\u00e7a entre um passeio de bicicleta e o cicloturismo, ou seja, al\u00e9m da diferen\u00e7a de enfoque do que se pretende ver, no\u00a0cicloturismo a dist\u00e2ncia tamb\u00e9m \u00e9 relevante e gera uma de suas principais caracter\u00edsticas. Cicloturismo seria, ent\u00e3o, melhor conceituado como uma viagem de bicicleta&#8221;; destaca Olinto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Era uma vez&#8230;<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Na hist\u00f3ria da bicicleta, percebe-se que a evolu\u00e7\u00e3o desta inven\u00e7\u00e3o se deu visando o deslocamento, ou seja, a bicicleta evoluiu por ser considerada um meio de locomo\u00e7\u00e3o. Os primeiros projetos, como o\u00a0celer\u00edfero criado pelo conde franc\u00eas Sivrac, em 1790, eram brinquedos. Mas as adapta\u00e7\u00f5es que seguiram visavam suprir as necessidades de se locomover.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Um exemplo \u00e9 o surgimento da draisiana, que nasceu atrav\u00e9s das adapta\u00e7\u00f5es feitas pelo bar\u00e3o alem\u00e3o Karl Friederich Von Drais, em 1816. Um ano antes, o vulc\u00e3o do Monte Tambora, na Indon\u00e9sia, entrou em erup\u00e7\u00e3o\u00a0e uma nuvem de cinzas alterou significativamente a incid\u00eancia dos raios solares na Terra, causando devasta\u00e7\u00e3o de lavouras e morte de pessoas e animais. Naquele tempo, o cavalo era um importante meio de\u00a0locomo\u00e7\u00e3o, e sua popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se viu diminu\u00edda com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas inesperadas. 0 &#8220;ano sem ver\u00e3o&#8221;, como ficou conhecido, pode ter incitado a necessidade de um ve\u00edculo para substituir o cavalo e\u00a0pode ter motivado a cria\u00e7\u00e3o da draisiana, com a qual Von Drais percorreu um trajeto de cerca de 50 km entre Beaune e Dijon, na Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Logo, falar em viagem de bicicleta deveria ser normal, j\u00e1 que ela \u00e9 um ve\u00edculo, ou seja, foi feita para viajar. Mas, com o surgimento dos outros ve\u00edculos de locomo\u00e7\u00e3o, isso tornou-se aventureiro e anormal.\u00a0&#8220;Quando as pessoas pensam em viajar, poucas pensam em faz\u00ea-lo t\u00e3o devagar. Usar a bicicleta depende muito do perfil do viajante e da aspira\u00e7\u00e3o de cada um. O que posso dizer \u00e9 que a experi\u00eancia de estar sobre\u00a0uma bicicleta na estrada \u00e9 o que faz a diferen\u00e7a. N\u00e3o se viaja para chegar a um destino, e sim para desfrutar o caminho, lentamente&#8221;, define Thiago Fantinatti, cicloturista de Curitiba que realizou uma\u00a0viagem de 365 dias pelo continente sul-americano, em 2009, o que rendeu o livro Trilhando Sonhos. Os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos voc\u00ea pode acompanhar no site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.trilhasulamericana.com.br\" target=\"_blank\">www.trilhasulamericana.com.br<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt; color: #008080;\">Por que viajar? E por que de bicicleta?<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Viajar est\u00e1 relacionado com descobrir coisas novas. Pessoas curiosas buscam conhecer a novidade que h\u00e1 al\u00e9m das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. \u00c9 como Santo Agostinho declarou, &#8220;o mundo \u00e9 um livro e aqueles que n\u00e3o\u00a0viajam leem apenas uma p\u00e1gina desse livro&#8221;. Ao contr\u00e1rio dos antigos desbravadores, que empreendiam grandes viagens para descobrir terras e pessoas ex\u00f3ticas de outras culturas, o ser humano de hoje, favorecido pela globaliza\u00e7\u00e3o e capacidade de trocar informa\u00e7\u00f5es em tempo real de qualquer lugar do planeta, pratica o turismo, curioso para descobrir a si mesmo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O termo da moda no turismo \u00e9 o chamado turismo de experi\u00eancia. De forma breve, trata-se de um conceito recente que sugere a integra\u00e7\u00e3o do turista com os costumes do local que est\u00e1 visitando e a conviv\u00eancia\u00a0pr\u00f3xima com os moradores da regi\u00e3o. Uma iniciativa conhecida nesse sentido \u00e9 a Acolhida na Col\u00f4nia, uma associa\u00e7\u00e3o integrada \u00e0 Rede Accueil Paysan, que atua na Fran\u00e7a desde 1987, chegou a Santa Catarina em\u00a01998 e cuja proposta \u00e9 valorizar a vida no campo. As fam\u00edlias de agricultores catarinenses recebem os turistas em sua casa para o conv\u00edvio no dia a dia, compartilhando n\u00e3o s\u00f3 belos cen\u00e1rios para\u00a0contempla\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, cultura, atividades cotidianas, enfim, experi\u00eancias. Turismo de experi\u00eancia \u00e9 isso: ir a Minas Gerais e degustar um bom p\u00e3o de queijo feito pelas pr\u00f3prias m\u00e3os,\u00a0ou viajar para o Rio Grande do Sul, na regi\u00e3o de uvas e vinhos, para vivenciar o cotidiano de uma vin\u00edcola familiar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Essa experi\u00eancia de viver um cotidiano diferente sempre ensina e elucida coisas sobre n\u00f3s mesmos. Em oposi\u00e7\u00e3o ao sentimento de necessidade material e compreens\u00e3o racional que vivenciamos, principalmente no\u00a0\u00e2mbito profissional, buscar por valores imateriais, emocionais e experimentais refletem em qualidade de vida, pois conferem equil\u00edbrio e plenitude, especialmente nas rela\u00e7\u00f5es pessoais (consigo mesmo) e\u00a0sociais (com os outros e o ambiente). Experi\u00eancia, do latim experientia, proveniente do verbo experiri (experimentar), \u00e9 definido como pr\u00e1tica de vida e conhecimento que nos \u00e9 transmitido pelos sentidos.\u00a0Ora, o ve\u00edculo que proporciona a maior integra\u00e7\u00e3o do turista com a regi\u00e3o visitada e seus moradores e que permite n\u00e3o s\u00f3 contemplar, mas tamb\u00e9m experimentar e vivenciar cada momento da viagem, \u00e9 a bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;Toda vez que subo em uma bicicleta, me pergunto quando foi a \u00faltima vez que eu fiz alguma coisa pela primeira vez? E esse pren\u00fancio do novo fica martelando a cuca, fortalecendo a vontade de ir aonde os\u00a0outros n\u00e3o v\u00e3o&#8221;, confessa Renato Cabral, cicloturista de Uberl\u00e2ndia, que aconselha, ainda:&#8221;entre sonhar e partir, fique com o segundo. Qualquer sonho sem um passo \u00e9 s\u00f3 um del\u00edrio, mas se voc\u00ea der o\u00a0primeiro,j\u00e1 n\u00e3o precisa sonhar. E ao partir voc\u00ea descobre tamb\u00e9m que tudo o que sempre disseram sobre o mundo estava errado. Quando \u00e9 voc\u00ea que est\u00e1 l\u00e1, tudo ganha um olhar novo. Ent\u00e3o, dispare. V\u00e1 atr\u00e1s\u00a0dessa sensa\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel de que h\u00e1 algo intoc\u00e1vel no ar. Algo para o qual n\u00e3o h\u00e1 resposta poss\u00edvel. Experimente come\u00e7ar, viver esse mist\u00e9rio e da\u00ed voc\u00ea compreender\u00e1 aquilo pelo qual os olhos, como as\u00a0estrelas no c\u00e9u, nunca deixam de brilhar. Da\u00ed voc\u00ea finalmente encontrar\u00e1 parte desse outro que perseguimos desde crian\u00e7a. Porque se voc\u00ea n\u00e3o for, ningu\u00e9m ir\u00e1 por voc\u00ea&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O turismo e o uso da bicicleta s\u00e3o duas atividades crescentes e prazerosas. Unidas, formam o cl\u00edmax do chamado cicloturismo. A bike, por si s\u00f3, j\u00e1 representa uma &#8220;viagem no tempo&#8221; de retorno \u00e0 praticidade e\u00a0de encontro a uma vida mais natural. Para Pedro Marcon Neto, 67 anos, ciclista de Porto Alegre, &#8220;a bicicleta te d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade, evita o tr\u00e2nsito, melhora o condicionamento f\u00edsico, e com ela tu\u00a0tens acesso a caminhos que um carro n\u00e3o tem. Tu te sentes um n\u00f4made com seu cavalo, indo para onde quiser. Acampa com a barraca, toma banhos de rio ou lagoa, e \u00e9 bem recebido onde chega. Tudo \u00e9 mais simples\u00a0e prazeroso&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Na solid\u00e3o da estrada, a experi\u00eancia transcende a viv\u00eancia daquele local. &#8220;Enquanto desloca-se, medite, analise, imagine. Use a sua mente. Viaje para n\u00e3o se limitar apenas em passar, em habitar, em existir,\u00a0em estar. Viaje para viver e estar consciente de estar vivo&#8221;, reflete Edgardo Jorge Sanrame, argentino de C\u00f3rdoba. &#8220;A vida passa, transcorre inevitavelmente. Tudo se assemelha, t\u00e3o somente h\u00e1 pequenas\u00a0varia\u00e7\u00f5es na estrutura e no tempo.Vers\u00f5es de uma rotina que consolidamos, num sentido material: tang\u00edvel de exist\u00eancia, seguran\u00e7a e estabilidade financeira. Deixar tudo isso \u00e9 dif\u00edcil, mas experimente.\u00a0Troque o penteado de sempre por cabelos sem ordem, modelados pelo vento do caminho, numa viagem de bicicleta&#8221;, finaliza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Therbio Felipe Cezar, escritor e professor universit\u00e1rio, afirma que &#8220;ao praticar cicloturismo nos apresentamos em busca e n\u00e3o em fuga. E n\u00e3o h\u00e1 receitas para esta pr\u00e1tica, ainda que existam orienta\u00e7\u00f5es e\u00a0m\u00e9todos de seguir um roteiro ou circuito pr\u00e9-estabelecido, o que assegura uma experi\u00eancia com imprevistos menos dolosos, al\u00e9m de uma cicloviagem com sugest\u00f5es valorosas de outros companheiros de caminho. O\u00a0cicloturismo \u00e9 um dos mais pac\u00edficos e rom\u00e2nticos movimentos socioculturais das \u00faltimas d\u00e9cadas e um dos maiores promotores de minimiza\u00e7\u00e3o do abismo entre os diferentes, de positivas transforma\u00e7\u00f5es atuais e\u00a0futuras&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O cicloturismo herda, tamb\u00e9m, todos os benef\u00edcios que a bicicleta representa. \u00c9 uma forma de turismo sustent\u00e1vel, pela m\u00ednima interfer\u00eancia, n\u00e3o polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e sonora. \u00c9, como vimos, um turismo de\u00a0experi\u00eancia, pois permite o m\u00e1ximo envolvimento social, de forma justa e agrad\u00e1vel. Para o turista, viajar de bicicleta \u00e9 sentir-se livre, um verdadeiro habitante do mundo, sem cercas que separem os\u00a0quintais, sem ser dono de nada e, ao mesmo tempo, sabendo que tudo o pertence e existe para ser usufru\u00eddo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;Viajar o Jap\u00e3o inteiro de bicicleta? H\u00e1 quem diga ser loucura; discordo totalmente&#8221;, relata Wilton Mitsuo Miwa, fot\u00f3grafo e cicloturista de Sorocaba, atualmente no Jap\u00e3o, que finaliza: &#8220;loucura \u00e9 ter um\u00a0sonho e n\u00e3o tentar realiz\u00e1-lo&#8230; Neste exato momento estou correndo atr\u00e1s de mais um sonho e vou pedalando. N\u00e3o acredito em grandes realiza\u00e7\u00f5es sem grandes jornadas&#8221;. Entre a serra ou o mar, um roteiro\u00a0rom\u00e2ntico ou aventureiro, uma viagem sozinho ou em grupo, passando por centros hist\u00f3ricos ou estradas interioranas, todo cicloturista sabe exatamente o porqu\u00ea de estar viajando. E o porqu\u00ea desta viagem ser\u00a0de bicicleta. Descubra, tamb\u00e9m, a sua jornada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\/\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 11\/02<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Autoria: Anderson Ricardo Sch\u00f6rner<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">A Uni\u00e3o de dois Prazeres.Experimentei com uma mochila nas costas, durante 30 dias&#8230; Carregar minha pr\u00f3pria casa comigo. Descobri que necessitamos de pouco. 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