{"id":208,"date":"2014-03-13T22:36:26","date_gmt":"2014-03-14T01:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/dbike.org\/vdb\/?p=208"},"modified":"2014-11-18T20:53:44","modified_gmt":"2014-11-18T23:53:44","slug":"o-invejavel-problema-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/o-invejavel-problema-bom\/","title":{"rendered":"O Invej\u00e1vel Problema Bom"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, com a crise do petr\u00f3leo, a Holanda iniciou programas para incentivar meios de transporte ativos e coletivos. A bicicleta ganhou espa\u00e7o e assumiu lugar de destaque no pa\u00eds. Atualmente, existe uma bike para cada um dos 16,7 milh\u00f5es de habitantes, sendo que a frota de autom\u00f3veis \u00e9 bem menor, cerca de 7 milh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">De acordo com a Uni\u00e3o Nacional dos Ciclistas, os holandeses contam com 29 mil quil\u00f4metros de ciclovias ou ciclofaixas, usadas por um em cada dois estudantes. Cerca de 25% dos trabalhadores tamb\u00e9m se desloca de bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Nesse cen\u00e1rio, surgiu um problema: faltam vagas para estacionar a bicicleta. Segundo pesquisas, a capital, Amsterd\u00e3, tem um d\u00e9ficit de 100 mil vagas, apesar dos seus dois megaestacionamentos nas proximidades da esta\u00e7\u00e3o central de trem: um com capacidade para 12 mil bikes, e outro com tr\u00eas andares flutuantes que podem acomodar 2,5 mil bicicletas. At\u00e9 um barco da cidade foi adaptado e serve de biciclet\u00e1rio, com 400 vagas. Estacionamentos subterr\u00e2neos, como o do mercado de a\u00e7\u00f5es Beurs van Berlage, com 1,1 mil vagas, tamb\u00e9m vivem lotados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140313_broblemabom002.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" title=\"Caixote para estacionamento de 5 bikes.\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140313_broblemabom002.jpg\" alt=\"Caixote para estacionamento de 5 bikes.\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>O governo disponibiliza outra solu\u00e7\u00e3o: uma esp\u00e9cie de caixote que acomoda at\u00e9 cinco bicicletas, disponibilizado para usu\u00e1rios mediante pagamento de uma taxa anual. O problema \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio que 800 ciclistas tiveram suas bicicletas recolhidas pelas autoridades nos tr\u00eas primeiros meses desse ano por estacionarem em local proibido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A crise econ\u00f4mica que tamb\u00e9m afeta o pa\u00eds torna o espa\u00e7o &#8211; principalmente em uma capital como Amsterd\u00e3 &#8211; mais caro e disputado. Como \u00e9 na crise que surgem as boas ideias, o engenheiro Matthijs Griffloen estudou o caso e verificou que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ocupar mais espa\u00e7o na terra, mas sim no ar. Ele desenhou um \u201celevador\u201d que transportaria as bicicletas at\u00e9 o teto de constru\u00e7\u00f5es, onde ficariam armazenadas. Um painel eletr\u00f4nico avisaria a cada segundo o n\u00famero de vagas dispon\u00edveis. Parte da energia para manter o elevador e o painel viriam de placas solares. Por enquanto, \u00e9 apenas uma ideia, mas a Holanda est\u00e1 na vanguarda nessa quest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O certo \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 pressionando o governo a encontrar solu\u00e7\u00f5es. A cidade de Utrecht, por exemplo, a 40 km da capital, est\u00e1 tendo suas constru\u00e7\u00f5es readaptadas para oferecer vagas \u00e0s bicicletas. Segundo os respons\u00e1veis pelas reformas, 22,2 mil vagas ser\u00e3o criadas na regi\u00e3o central. Para manter o projeto, o governo ir\u00e1 custear uma parte dos gastos, mas pretende cobrar uma taxa dos usu\u00e1rios. O valor pode chegar a 1,50 euro por dia. Se funcionar em Utrecht, outras cidades, como Roterd\u00e3 e Haia, que igualmente sofrem com a falta de vagas para bicicletas, tamb\u00e9m receber\u00e3o o projeto.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140313_broblemabom003a.png\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" title=\"Projeto &quot;elevador&quot; do engenheiro Matthijs Griffloen.\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140313_broblemabom003a.png\" alt=\"Projeto &quot;elevador&quot; do engenheiro Matthijs Griffloen.\" width=\"350\" height=\"460\" \/><\/a>Pagar para estacionar a bicicleta n\u00e3o \u00e9 novidade na Holanda. Os primeiros estacionamentos privados surgiram h\u00e1 cerca de 10 anos e 30% das vagas atualmente s\u00e3o pagas. Mas a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem visto com bons olhos essa taxa\u00e7\u00e3o governamental. Muitas pessoas possuem duas, tr\u00eas bicicletas em cidades diferentes, guardadas nos biciclet\u00e1rios das esta\u00e7\u00f5es. Para elas, ficaria muito caro. Ativistas alertam que o governo\u00a0precisa tomar alguma decis\u00e3o melhor, visto que o problema tende a se intensificar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">De qualquer maneira, o incentivo \u00e0 bicicleta \u00e9 defendido e a magrela \u00e9 sin\u00f4nimo de seguran\u00e7a e fluidez na Holanda. Em 1971, quando as primeiras ciclovias foram constru\u00eddas, a morte anual de crian\u00e7as no tr\u00e2nsito alcan\u00e7ava o n\u00famero de 400; atualmente, s\u00e3o 14. Al\u00e9m dos espa\u00e7os adequados para pedalar, desde pequenos os holandeses est\u00e3o acostumados a conviverem com o grande n\u00famero de bicicletas nas ruas, o que os fazem ter a cultura da bicicleta e a consci\u00eancia de que a bike \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fego intenso dos grandes centros urbanos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Os jovens tamb\u00e9m t\u00eam aulas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas de tr\u00e2nsito com foco na bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Aos 12 anos, os holandeses j\u00e1 conhecem as regras para pedalar com seguran\u00e7a e v\u00e3o de bicicleta sozinhos at\u00e9 a escola, \u00e0s vezes por v\u00e1rios quil\u00f4metros. S\u00e3o realizadas din\u00e2micas que incentivam o respeito e toler\u00e2ncia entre condutores de autom\u00f3veis e ciclistas. Com essa base educacional e com a experiencia de ser ciclista, quando o jovem completa a idade para fazer a carteira e decide conduzir um automotor, j\u00e1 possui uma vis\u00e3o bem definida de como se comportar no tr\u00e2nsito. Por isso, tendo boa infraestrutura e informa\u00e7\u00e3o desde cedo, os holandeses sentem-se seguros e podem usar eficientemente a bicicleta como ve\u00edculo. A\u00ed come\u00e7am a surgir os problemas &#8220;bons&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 21\/02<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Autor: Anderson Ricardo Sch\u00f6rner<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Caderno: MobilidadeT\u00edtulo<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Original: Problema Bom<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, com a crise do petr\u00f3leo, a Holanda iniciou programas para incentivar meios de transporte ativos e coletivos. 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