{"id":197,"date":"2014-01-17T22:26:53","date_gmt":"2014-01-18T01:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/dbike.org\/vdb\/?p=197"},"modified":"2014-11-18T20:56:21","modified_gmt":"2014-11-18T23:56:21","slug":"cidades-modernas-e-bicicletas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/cidades-modernas-e-bicicletas\/","title":{"rendered":"Cidades Modernas e Bicicletas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o, n\u00e3o se trata de mais um texto fazendo apologia\u00a0(discurso para justificar ou defender) \u00e0s bicicletas. Tampouco\u00a0se pretende filosofar sobre algo pouco concreto, porque seria\u00a0banalizar o pensamento e o tempo que j\u00e1 n\u00e3o temos. Minha\u00a0aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 focada em um pequenino detalhe da vida de cada\u00a0um de n\u00f3s, impactado e impactante ao mesmo tempo: as\u00a0cidades, seu presente e seu futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Come\u00e7o sugerindo que existam dois momentos onde a\u00a0totalidade das cidades no mundo se encontra: o \u201cj\u00e1\u201d e o \u201cainda\u00a0n\u00e3o\u201d. Explico-me. In\u00fameras cidades ao redor do planeta j\u00e1\u00a0acusam o estado de colapsadas pelo caos do tr\u00e2nsito, ou\u00a0mesmo pelos resultados ou efeitos da depreda\u00e7\u00e3o socioambiental (s\u00f3 sabemos da natureza porque existimos e\u00a0pensamos sobre ela), mas ainda n\u00e3o est\u00e3o conscientes da\u00a0urgente e necess\u00e1ria mudan\u00e7a de comportamento e de modo\u00a0de vida. Outras, talvez t\u00e3o pr\u00f3ximas de n\u00f3s, ainda n\u00e3o est\u00e3o\u00a0prontas ou aptas para as mudan\u00e7as, mas j\u00e1 come\u00e7aram a\u00a0planejar coletivamente ap\u00f3s terem definido os porqu\u00eas, de\u00a0que maneiras e para quais finalidades querem tais mudan\u00e7as.\u00a0Sabemos de cidades que j\u00e1 procuraram t\u00e9cnicos e especialistas para tratar de suas patologias urbanas (mais uma vez,\u00a0sociais), mesmo que ainda n\u00e3o tenham total no\u00e7\u00e3o do quanto\u00a0esta escolha ou decis\u00e3o trar\u00e1 resultados qualitativos \u00e0 vida de\u00a0cada um e de todos os cidad\u00e3os, presentes e futuros. Sim, l\u00e1 e\u00a0aqui, hoje e amanh\u00e3, mais uma ou menos uma cidade requer\u00a0para si o t\u00edtulo de \u2018cidade amig\u00e1vel\u2019, outra daquelas inven\u00e7\u00f5es\u00a0do mercado que se tornou jarg\u00e3o barato, j\u00e1 que o conceito de\u00a0sustentabilidade foi banalizado pela m\u00eddia e pelas bocas\u00a0desqualificadas e ainda n\u00e3o surgiu nenhum termo t\u00e3o\u00a0complexo e t\u00e3o simples a sua vez, que o suplantasse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140117_cidadesmodernas002.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140117_cidadesmodernas002.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>Quando, ao in\u00edcio, tratei as cidades como um \u201cpequenino\u00a0detalhe da vida de cada um de n\u00f3s\u201d, n\u00e3o quis mediocrizar\u00a0estes espa\u00e7os de ser e estar com os outros, apenas me\u00a0remeti \u00e0 efemeridade de nossos anos gastos indo e vindo,\u00a0num causticante e viciante ger\u00fandio, que efetivamente nos faz\u00a0ir de casa para o trabalho olhando para o \u2018ch\u00e3o\u2019, imersos em\u00a0nossos problemas t\u00e3o \u2018imensos e vorazes\u2019 (como se fossem\u00a0apenas nossos) que consomem nossa aten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que nos\u00a0damos conta de que j\u00e1 chegamos ao nosso destino. L\u00e1 ir\u00e1,\u00a0uma ap\u00f3s a outra, nossas horas de trabalho, para que enfim\u00a0possamos voltar, invariavelmente, pelo mesmo caminho de\u00a0sempre, com nossos olhos hipnotizados no \u2018nada\u2019, prontos para\u00a0repetir tudo na manh\u00e3 seguinte. Um detalhe, esta \u00e9 tal cidade\u00a0em que vivo e n\u00e3o a vivo. Um detalhe pequeno \u00e9 este pr\u00e9dio\u00a0ou esta pra\u00e7a que sempre esteve diante de mim e que jamais\u00a0consegui interpretar suas figuras ou detalhes arquitet\u00f4nicos,\u00a0porque jamais me atrevi a elevar ou desfocar meu olhar.\u00a0Outro pequeno detalhe do que existe na rua ao lado, e que de\u00a0mim se escapou durante estes anos todos porque jamais por\u00a0l\u00e1 cruzei, porque escolhi invariavelmente pelo mesmo\u00a0caminho de sempre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Parte das cidades e das pessoas que nelas vivem reagem \u00e0s\u00a0necess\u00e1rias mudan\u00e7as com aquele eterno e cinzento Complexo de Gabriela (eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser\u00a0sempre assim), e perdem a rara e potencial oportunidade de\u00a0fazer diferente, de fazer a diferen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Notamos, nos \u00faltimos anos, o quanto a escolha pela bicicleta\u00a0tem estado presente nos reclames televisivos, nas campanhas de marketing de bancos, cremes dentais, absorventes\u00a0\u00edntimos, refrigerantes, imobili\u00e1rias, destinos tur\u00edsticos,\u00a0partidos pol\u00edticos, universidade, e pasmem, at\u00e9 mesmo em\u00a0lan\u00e7amentos de autom\u00f3veis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ironicamente, quase nenhuma destas empresas investe em\u00a0educa\u00e7\u00e3o para a ciclomobilidade urbana ou para a ciclocidadania, da mesma forma que n\u00e3o o fazem em ado\u00e7\u00f5es de\u00a0estruturas ciclovi\u00e1rias em cons\u00f3rcio, em parcerias com o\u00a0poder p\u00fablico, ou quem sabe at\u00e9 mesmo atrav\u00e9s da tal\u00a0\u2018responsabilidade social\u2019, outra daquelas fal\u00e1cias que\u00a0encantam os ouvidos de quem ainda ignora o real sentido da\u00a0express\u00e3o. N\u00e3o vou longe, a realdade crua nos tem mostrado\u00a0que uma boa maioria das empresas do mercado de bicicletas\u00a0tamb\u00e9m n\u00e3o aposta ou investe em educa\u00e7\u00e3o para a ciclomobilidade ou para a ciclocidadania, dizem que n\u00e3o lhes compete;\u00a0mal sabem elas o quanto isto democratizaria o acesso \u00e0\u00a0bicicleta, sensibilizaria o poder p\u00fablico, aumentaria o consumo\u00a0inteligente e respons\u00e1vel, al\u00e9m de ajudar a\u00a0vida em milhares de cidades e por in\u00fameros motivos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Possivelmente, esta avalanche publicit\u00e1ria tenha pegado uma carona nisto que\u00a0ouso chamar de um dos maiores\u00a0fen\u00f4menos socioculturais dos \u00faltimos\u00a0400 anos, sob a forma de um movimento pac\u00edfico em prol da vida, individual,\u00a0coletiva e do planeta, direta ou indireta\u00a0mente, no j\u00e1 e no ainda n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Talvez, tudo esteja sendo motivado pelo\u00a0crescente n\u00famero de pessoas aderindo,\u00a0por for\u00e7a da necessidade, pela moda, pelo\u00a0esporte ou pelo diletantismo \u00e0 causa da\u00a0bicicleta. N\u00e3o importa o motivo, isto \u00e9 um\u00a0fato social pleno. Por\u00e9m, assim como\u00a0ocorreu com os autom\u00f3veis, a velocidade\u00a0e o crescimento do volume de indiv\u00edduos\u00a0usando a bicicleta cotidianamente n\u00e3o\u00a0est\u00e1 sendo acompanhado por estruturas\u00a0ciclovi\u00e1rias condizentes, nem mesmo por\u00a0um modelo de educa\u00e7\u00e3o mais emancipadora, mais libertadora ainda que mais\u00a0respons\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140117_cidadesmodernas003.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140117_cidadesmodernas003.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>Ser\u00e1 que a l\u00f3gica deste movimento est\u00e1\u00a0realmente fundada na transforma\u00e7\u00e3o\u00a0sociocultural promovida pelo uso\u00a0inteligente e irrestrito da bicicleta? Ser\u00e1\u00a0que, em parte e em certa medida, n\u00e3o se\u00a0trata de mais uma tentativa utilitarista-individualista de resolver uma quest\u00e3o\u00a0estritamente econ\u00f4mica e de falta de\u00a0acessibilidade, e que caberia, por sua vez,\u00a0ao Estado observar? E ainda sim, ou\u00a0melhor, j\u00e1 n\u00e3o seria a hora de cada ciclista\u00a0sair de sua individualidade e dar sua\u00a0contribui\u00e7\u00e3o ensinando a sua comunidade\u00a0sobre os benef\u00edcios universais da bicicleta,\u00a0sobre a responsabilidade de quem a\u00a0utiliza, ou at\u00e9 mesmo, doar parte do seu\u00a0tempo para organizar, planejar e subsidiar\u00a0pac\u00edficas, plurais e ben\u00e9ficas formas de\u00a0exigir todas as condi\u00e7\u00f5es e melhorias para\u00a0a ciclomobilidade e a ciclocidadania?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Continuamos olhando as cidades como\u00a0algo al\u00e9m de n\u00f3s, a nosso servi\u00e7o e de\u00a0acordo com nossos interesses, quando\u00a0seria oportuno e bem-vindo observar\u00a0como nos traduzimos nelas,\u00a0impregnando-as com o nosso melhor e\u00a0com o que em n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Sejamos claros: a cidade \u00e9 o espelho\u00a0daquele que se diz cidad\u00e3o, e independe\u00a0do Estado para tal. Se a cidade \u00e9 suja, \u00e9\u00a0porque aquele que ali vive tamb\u00e9m o \u00e9. Se\u00a0a cidade \u00e9 pac\u00edfica, agrad\u00e1vel e acolhedora,\u00a0\u00e9 reflexo do que l\u00e1 vive. Se, por sua vez, \u00e9\u00a0violenta, insidiosa, inacess\u00edvel e prom\u00edscua,\u00a0n\u00e3o passa de uma proje\u00e7\u00e3o dos atores\u00a0sociais que nela habitam e de suas\u00a0escolhas. N\u00e3o podemos aceitar que se\u00a0entenda a cidade meramente como um\u00a0somat\u00f3rio de problemas decorrentes\u00a0de quest\u00f5es demogr\u00e1ficas. Mais que\u00a0tudo, \u00e9 um ambiente inter-relacional\u00a0que surge de experi\u00eancias socioculturais, socioecon\u00f4micas e socioambientais, no tempo e no espa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Quando nos chegam novidades do\u00a0mundo da bicicleta pelas redes sociais\u00a0e, at\u00e9 mesmo, atrav\u00e9s da boa e velha\u00a0carta, sempre esperamos ouvir sobre\u00a0novos lugares onde a bicicleta e seus\u00a0usu\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o vistos como seguidores de uma moda sem objetivos.\u00a0Queremos saber mais sobre as cidades\u00a0feitas pelas pessoas e para as pessoas,\u00a0como orienta o excelente arquiteto\u00a0dinamarqu\u00eas, mas antes de tudo, cidad\u00e3o\u00a0Jan Gehl. Parte da miss\u00e3o deste homem e\u00a0suas equipes \u00e9 criar cidades melhores\u00a0para as pessoas viverem. Isto significaria\u00a0cidades melhores para pessoas\u00a0melhores?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140117_cidadesmodernas004.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/140117_cidadesmodernas004.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"237\" \/><\/a>Quando penso sobre isto algo me\u00a0remete at\u00e9 minha inf\u00e2ncia no interior do\u00a0sul do pa\u00eds, quando indistintamente\u00a0precis\u00e1vamos de t\u00e3o pouco para viver.\u00a0N\u00e3o ansi\u00e1vamos por muito, desde que as\u00a0pessoas ao nosso redor estivessem\u00a0felizes. Naquela \u00e9poca, para mim a\u00a0bicicleta era o presente esperado no natal,\u00a0para garantir a folia molequeira cheia de\u00a0boniteza zimbrando nas ruas empoeiradas pelo esquecimento. For\u00e7ando um\u00a0pouco a mem\u00f3ria, coincide o fato de que\u00a0muitas pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o tinham\u00a0carro (objeto para poucos), e a bicicleta\u00a0tamb\u00e9m era ve\u00edculo para chegar ao\u00a0trabalho, escola, encontrar a namorada\u00a0ou carregar coisas como o botij\u00e3o de g\u00e1s,\u00a0por exemplo. As cidades, por sua vez,\u00a0tamb\u00e9m possibilitavam o deslocamento\u00a0de ve\u00edculos movidos \u00e0 tra\u00e7\u00e3o humana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Voltamos \u00e0 realidade atual e futura.\u00a0Provavelmente, algumas gest\u00f5es p\u00fablicas\u00a0tratar\u00e3o de Copenhaguenizar suas\u00a0cidades, por\u00e9m, este pode n\u00e3o ser o\u00a0caminho natural para chegar a um\u00a0resultado semelhante. Digo isto me\u00a0baseando na reflex\u00e3o de que um molde\u00a0triangular jamais dar\u00e1 forma a um objeto\u00a0redondo, e vice-versa. \u00c0s vezes, modelos\u00a0aplicados como solu\u00e7\u00f5es para determinados problemas n\u00e3o se aplicam em outra\u00a0parte ou problema diferente. Parte das\u00a0transforma\u00e7\u00f5es sonhadas e desejadas,\u00a0al\u00e9m de requeridas, para as cidades num\u00a0futuro pr\u00f3ximo passam, imediatamente,\u00a0por escolhas atuais mais humanas e com\u00a0reflexos mais coletivos por parte de cada\u00a0um de n\u00f3s, ainda que isto nos custe certo\u00a0conforto moment\u00e2neo, adapta\u00e7\u00e3o\u00a0dolorosa ou at\u00e9 mesmo, mudan\u00e7as de\u00a0perspectivas pessoais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Vivemos em um momento bastante\u00a0delicado da hist\u00f3ria, porque jamais\u00a0soubemos tanto sobre tanta coisa, e\u00a0possivelmente, em mesma escala, jamais\u00a0tivemos tanta capacidade para transformar nossa realidade comum. A op\u00e7\u00e3o\u00a0pela bicicleta, universalmente, n\u00e3o pode\u00a0ser tomada com base em modismos,\u00a0consumismos elitistas, ou at\u00e9 mesmo,\u00a0por uma postura reacion\u00e1ria e violenta,\u00a0que usar\u00e1 as mesmas formas de express\u00e3o do sistema que repudiamos, o qual\u00a0lastima, ofende e aniquila a mim, a voc\u00ea e\u00a0\u00e0s pessoas que nem mesmo eu ou voc\u00ea conhecemos, no j\u00e1 e no ainda n\u00e3o, no agora e no depois.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Este pequenino detalhe da vida de todos n\u00f3s est\u00e1 presente na sua rua, no seu quintal, mas tamb\u00e9m est\u00e1 diante da TV que voc\u00ea n\u00e3o desliga.\u00a0Est\u00e1 no estacionamento vertical, na vaga\u00a0viva, na intermodalidade, nos paraciclos,\u00a0mas tamb\u00e9m est\u00e1 naquele sinal vermelho\u00a0que voc\u00ea cruzou, hoje pela manh\u00e3, s\u00f3\u00a0porque n\u00e3o vinha ningu\u00e9m, apenas um\u00a0ciclista. Est\u00e1 na escolha dos governantes,\u00a0dos homens do mercado, dos empreendedores, mas tamb\u00e9m est\u00e1 presente na\u00a0vida daquele que n\u00e3o tem escolhas. Est\u00e1\u00a0presente na bike silenciosa rumo \u00e0 escola,\u00a0rumo ao treino, ao cinema ou, t\u00e3o somente, rumo aos pr\u00f3ximos quil\u00f4metros.\u00a0Quem sabe apenas esteja presente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Enfim, sua cidade, no presente e no\u00a0futuro est\u00e1 em voc\u00ea, em mim, e acredito\u00a0concretamente que n\u00f3s possamos fazer\u00a0algo de surpreendente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Afinal, voc\u00ea leu at\u00e9 esta linha, vai discutir este tema com seus pares e na pr\u00f3xima linha eu poderei lhe agradecer por ter feito a diferen\u00e7a durante este tempo que j\u00e1 n\u00e3o temos, juntos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 22\/03<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Autor: Therbio Felipe Moraes Cezar (Professor Sobre Rodas)<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">T\u00edtulo original: O Futuro das Cidades atrav\u00e9s da Bicicleta<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">N\u00e3o, n\u00e3o se trata de mais um texto fazendo apologia\u00a0(discurso para justificar ou defender) \u00e0s bicicletas. 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