{"id":168,"date":"2013-10-10T20:25:47","date_gmt":"2013-10-10T23:25:47","guid":{"rendered":"http:\/\/dbike.org\/vdb\/?p=168"},"modified":"2014-11-18T21:02:42","modified_gmt":"2014-11-19T00:02:42","slug":"quem-realmente-e-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/quem-realmente-e-pobre\/","title":{"rendered":"Quem Realmente \u00e9 Pobre?"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Objeto de desejo da maioria dos seres humanos, o carro est\u00e1 presente na lista dos sonhos de consumo da maioria dos brasileiros. Na cultura em vigor, isso simboliza a conquista da liberdade, aquisi\u00e7\u00e3o de autonomia. Ter um carro significa ter poder, ser bem-sucedido. Mas n\u00e3o basta ter, \u00e9 preciso ostentar. Assim, as pessoas est\u00e3o sempre procurando trocar o seu ve\u00edculo por outro melhor, pois quanto maior e mais imponente o carro, mais importante e respeitada \u00e9 a pessoa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Voc\u00ea pode at\u00e9 dizer que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Ser\u00e1 que n\u00e3o? Ent\u00e3o experimenta come\u00e7ar a se deslocar dentro da sua cidade sem carro durante uma semana. Imagina-se naquela confraterniza\u00e7\u00e3o da empresa, e de repente voc\u00ea levanta antes de acabar e diz de peito <a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza003.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza003.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>aberto que precisa ir embora mais cedo, sen\u00e3o perde o \u00faltimo coletivo ou metr\u00f4. Quando todos os amigos combinarem de se encontrar na lanchonete para bater um papo, voc\u00ea sabe que aquela garota que voc\u00ea est\u00e1 paquerando a um bom tempo estar\u00e1 presente. Enquanto todos chegam e encostam seus carros na porta, voc\u00ea chega com sua bicicleta e ainda pergunta se pode coloc\u00e1-la dentro do estabelecimento, pois tem medo de que seja roubada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Complicado n\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas onde est\u00e1 o problema?\u00a0O problema \u00e9 cultural. Aprendemos que aquele que n\u00e3o possui seu pr\u00f3prio ve\u00edculo \u00e9 limitado. Isso \u00e9 embutido em nosso subconsciente por meio de filmes, novelas, comerciais, propagandas em revista e at\u00e9 mesmo nos brinquedos infantis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A ind\u00fastria do autom\u00f3vel move milh\u00f5es e gera milhares de empregos, o que \u00e9 muito bom para qualquer pa\u00eds. Mas qual \u00e9 o custo p\u00f3s-venda? Milh\u00f5es de reais necessitam ser gastos para criar infraestrutura suficiente no deslocamento desses ve\u00edculos no dia a dia. O pior de tudo \u00e9 que por mais que se invista em infraestrutura, sempre \u00e9 insuficiente para que os problemas de transporte sejam resolvidos, pois enquanto o investimento em novas vias para deslocamento dos carros tem um crescimento linear, a venda de ve\u00edculos tem crescimento exponencial. Some a isso os custos para manuten\u00e7\u00e3o da estrutura que j\u00e1 existe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza002.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignright\" title=\"Salto alto chiqu\u00e9rrimo!\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza002.jpg\" alt=\"Salto alto chiqu\u00e9rrimo!\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>Pude presenciar no centro de Londres, capital da Inglaterra, ruas sendo &#8220;estreitadas&#8221; para constru\u00e7\u00e3o de cal\u00e7adas. Fico pensando quando isso acontecer\u00e1 no Brasil. Na Fran\u00e7a, \u00e9 comum ver mulheres com seus saltos altos, meias finas e bolsas de grife pedalando suas bicicletas a caminho do trabalho. A Holanda possui uma rede ciclovi\u00e1ria maior que a malha rodovi\u00e1ria, e o n\u00famero de bicicletas \u00e9 maior que o n\u00famero de habitantes. Isso sem dizer que nesses pa\u00edses os \u00f4nibus coletivos e os metr\u00f4s funcionam de maneira integrada e com um \u00fanico bilhete voc\u00ea pode sair de um e entrar em outro, desde que n\u00e3o ultrapasse o tempo de 10 minutos de intervalo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A Holanda sempre apresentou problemas por estar localizada abaixo do n\u00edvel do mar e com isso desenvolveu tecnologias que bombeiam a \u00e1gua de volta e criou dicks para estancar a \u00e1gua. Estudos indicam que se n\u00e3o fossem esses artif\u00edcios, 70% das suas \u00e1reas produzidas estariam debaixo d\u00b4\u00e1gua. Com o aquecimento global e o consequente aumento dos n\u00edveis dos oceanos, esse pa\u00eds seria o principal prejudicado. Com isso, j\u00e1 se estuda o aumento dos valores de impostos para que os ve\u00edculos automotores, diminuindo a sua circula\u00e7\u00e3o e a emiss\u00e3o de compostos de carbono na atmosfera, minimizem os efeitos do aquecimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza005.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" title=\"Estacionamento de Ve\u00edculos.\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza005.jpg\" alt=\"Estacionamento de Ve\u00edculos.\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>Ent\u00e3o eu pergunto: ser\u00e1 mesmo que bicicleta e transportes p\u00fablicos s\u00e3o coisas de pobre? N\u00e3o \u00e9 por acaso que esses pa\u00edses est\u00e3o entre os mais ricos e desenvolvidos do mundo. Pobre \u00e9 quem se fecha dentro da sua redoma de a\u00e7o e se julga intoc\u00e1vel. Passa horas parado em engarrafamentos acreditando ter o poder e o controle da situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Mas o que mais me motiva \u00e9 pensar o quanto as coisas mudam ao longo do tempo. Nos anos 70, Hollywood vendia a imagem de que pessoas bem-sucedidas deviam estar sempre com um cigarro nas m\u00e3os. Atores famosos apareciam mergulhados em fuma\u00e7as de cigarro e os grandes gal\u00e3s sempre davam uma grande tragada de cigarro antes de beijar a t\u00e3o linda e desejada estrela hollywoodiana. Assim, milhares de pessoas em todo o mundo passaram a fumar. Com o passar dos anos, as autoridades perceberam que o valor gasto em sa\u00fade \u00e9 muitas vezes superior aos benef\u00edcios oriundos dos impostos recebidos dessas ind\u00fastrias, justamente com <a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza004.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-flutuando alignleft\" title=\"Estacionamento de Bicicletas.\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/131011_pobreza004.jpg\" alt=\"Estacionamento de Bicicletas.\" width=\"350\" height=\"219\" \/><\/a>os\u00a0empregos gerados. Assim, percebemos uma mudan\u00e7a extraordin\u00e1ria nessa vis\u00e3o. Atualmente, fumar j\u00e1 se tornou um ato deselegante e proibido em lugares fechados. Os fumantes precisam procurar por locais separados para n\u00e3o incomodar os demais. Atendente com cheiro de fuma\u00e7a de cigarro s\u00e3o evitados por empresas, por relacionar a sua imagem a de pessoas descuidadas com si pr\u00f3prias. E como algu\u00e9m que n\u00e3o cuida bem de si mesmo poder\u00e1 cuidar da empresa de terceiros?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Pensando novamente na mobilidade urbana, as vias p\u00fablicas se tornaram invi\u00e1veis na maioria da cidades brasileiras. Em poucos anos, presenciaremos S\u00e3o Paulo parar em fun\u00e7\u00e3o dos seus mega-engarrafamentos. Mas, a exemplo dos cigarros, tenho certeza de que a consci\u00eancia ecol\u00f3gica e social ainda entrar\u00e1 na moda. E poderemos ver pessoas se movendo pelas vias p\u00fablicas por meio de coletivos, metr\u00f4s, bicicletas e tamb\u00e9m em carros, em menor propor\u00e7\u00e3o. Isso representar\u00e1 um ganho imensur\u00e1vel para a sa\u00fade p\u00fablica, o meio ambiente, a cidadania e o respeito ao pr\u00f3ximo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Conhe\u00e7o e invejo muitas pessoas que deixam seus carros e motos em casa e utilizam a bicicleta como meio de transporte, fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol. S\u00e3o pessoas conscientes o suficiente para n\u00e3o se importarem com o que as pessoas pensam a respeito delas. Simplesmente agem da maneira que julgam certo e pronto. Recentemente, em uma roda de amigos, um de n\u00f3s disse: &#8220;sou louco para adotar a bike no meu dia a dia, mas n\u00e3o abro m\u00e3o do conforto do meu carro&#8221;. De imediato, outro retrucou: &#8220;n\u00e3o vejo nada demais na sua atitude mas, assim como eu, ter\u00e1 de conviver tamb\u00e9m com o excesso de peso, das altas taxas de colesterol no sangue, do cansa\u00e7o di\u00e1rio ao final do dia, do aumenta da probabilidade de infarto e ainda estar disposto de abrir m\u00e3o de boa parte do conforto acumulado para pagar as despesas de sa\u00fade, \u00e0 medida que a idade avan\u00e7ar.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Quem realmente \u00e9 pobre?\u00a0<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Bem, tudo vai depender da r\u00e9gua utilizada para mensurar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 09\/01<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Autor:\u00a0Carlos \u00a0Menezes<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">Objeto de desejo da maioria dos seres humanos, o carro est\u00e1 presente na lista dos sonhos de consumo da maioria dos brasileiros. 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