{"id":1647,"date":"2014-10-20T18:24:43","date_gmt":"2014-10-20T21:24:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dbike.org\/vdb\/?p=1647"},"modified":"2014-10-25T16:35:54","modified_gmt":"2014-10-25T19:35:54","slug":"bicicleta-substantivo-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/bicicleta-substantivo-feminino\/","title":{"rendered":"Bicicleta, substantivo Feminino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A cena hoje comum de uma mulher pedalando, nem todo mundo sabe, s\u00f3 tornou-se poss\u00edvel porque houve mulheres que confrontaram os h\u00e1bitos e as normas que as impediam de faz\u00ea-lo. Toda \u201cmulher moderna\u201d est\u00e1 em d\u00e9bito de reconhecimento e respeito com as mocinhas e damas que, no passado n\u00e3o t\u00e3o long\u00ednquo, sofreram censura, repreens\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o por sair \u00e0s ruas guiando uma bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher ainda n\u00e3o \u00e9 plena nem aqui nem na maior parte do mundo, e os avan\u00e7os foram conquistados com muuuita luta, do\u00edda luta, at\u00e9 letal luta, tanto organizada nas ruas, quanto individual nos lares. E ainda \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o para que a mulher consiga desvencilhar-se totalmente das crendices, sustentadas pelas institui\u00e7\u00f5es seculares, que j\u00e1 a mantiveram em situa\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o e at\u00e9 sob viol\u00eancia, extremo este que, contudo, ainda persiste em muitas culturas contempor\u00e2neas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Podemos dizer, assim, que <span style=\"color: #993300;\">a bicicleta est\u00e1 para a mobilidade urbana como a mulher est\u00e1 para a sociedade<\/span>.<a title=\"Mulheres durante um passeio de bicicleta. Ano 1900. Fotografia de Larry Hart Collection\" href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/141021_bicicleta002.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"__wp-temp-img-id\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/141021_bicicleta002.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/a> Ainda vivemos situa\u00e7\u00f5es em que a mulher \u00e9 secundarizada e oprimida pelos c\u00f4njuges, pelos patr\u00f5es e pelos gestores p\u00fablicos; e a bicicleta ainda \u00e9 desprezada e coagida pelos motoristas, pelos investidores e, do mesmo modo, pelos gestores pol\u00edticos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Hoje alcan\u00e7amos a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente dos homens poderem admirar as mulheres pedalando, mas das pr\u00f3prias mulheres poderem manifestar abertamente o mesmo sentimento pelos homens. Liberdade de movimento e liberdade sexual vieram juntas. Nesse tema, entretanto, nem tudo \u00e9 charmoso: o olhar objetificante do machista ainda \u00e9 comum e chega \u00e0s raias do constrangimento e da viola\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nada incomum o ass\u00e9dio, as gracinhas, buzinadas e outras baixarias contra as mulheres, o que n\u00e3o apenas as ofendem, mas lhes causam riscos de acidentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><div class=\"lizatom-infobox tip\"><div class=\"text\"><p> &#8220;Eu acho que a bicicleta tem feito mais para emancipar a mulher do que qualquer outra coisa no mundo. Alegro-me cada vez que vejo uma mulher andar sobre duas rodas (&#8230;)&#8221;. Susan B. Anthony, 1896.<\/p><\/div><\/div><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A bicicleta permitiu \u00e0 mulher ampliar seu horizonte ao lhe conferir autonomia de deslocamento. A bicicleta ajuda a ir mais longe e a chegar mais r\u00e1pido, sem depender do favor ou da vontade de terceiros, sejam estes o marido, o pai, o irm\u00e3o ou o filho. Ir ao trabalho ou \u00e0 escola? Levar o filho na creche? Fazer compras? Tais fun\u00e7\u00f5es sociais podem ser cumpridas com mais efici\u00eancia servindo-se de um ve\u00edculo a\u00a0pedal. Caminhar cansa? Est\u00e3o pesadas as bolsas? O \u00f4nibus demora e \u00e9 caro pra caramba? E para melhorar esse desconforto que existe a bicicleta!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">M<a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/141021_bicicleta003.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"__wp-temp-img-id\" class=\"img-flutuando alignleft\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/141021_bicicleta003.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" \/><\/a>as para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de uso da bicicleta pela mulher, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas cicloinclusivas.\u00a0N\u00e3o que tratemos a mulher como sexo fr\u00e1gil, mas temos que reconhecer que a desigualdade de\u00a0<\/span><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">g\u00eanero ainda praticada na sociedade a coloca em desvantagem. Ainda prepondera para as mulheres a administra\u00e7\u00e3o geral do lar, a responsabilidade com a prole, a dupla jornada de trabalho e a menor remunera\u00e7\u00e3o &#8211; portanto, \u00e9 mais dif\u00edcil para elas do que para os homens enfrentarem mais uma carga no tr\u00e2nsito. \u00c9 dever da sociedade propiciar a inclus\u00e3o feminina em todas as esferas da vida social. E proteg\u00ea-las, sobretudo dos trogloditas que fazem do carro uma ferramenta de autoafirma\u00e7\u00e3o da sua masculinidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Mas h\u00e1 mulheres que n\u00e3o ficam paradas, esperando o mundo ao redor melhorar. Pelo contr\u00e1rio, v\u00e3o \u00e0s ruas, em n\u00famero crescente, refor\u00e7ando a demanda e at\u00e9 engrossando a press\u00e3o expl\u00edcita, pelas estruturas de democratiza\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito. Seja como transporte, nas pedaladas noturnas ou no esporte, cada vez \u00e9 maior a participa\u00e7\u00e3o feminina. E elas agregam n\u00e3o apenas quantidade, mas qualidade: quando n\u00e3o turvada pela cultura masculina, a feminilidade possui especificidades de cogni\u00e7\u00e3o, sensibilidade e vis\u00e3o de mundo que harmonizam a cultura e tornam mais igualit\u00e1rias as normas sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/141021_bicicleta004.jpg\" rel=\"wp-video-lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"__wp-temp-img-id\" class=\"img-flutuando alignright\" src=\"https:\/\/dbike.org\/vdb\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/141021_bicicleta004.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" \/><\/a>A bicicleta foi, outrora, respons\u00e1vel pelo aumento da visibilidade social da mulher, ampliando sua presen\u00e7a no espa\u00e7o p\u00fablico, de modo chamativo e at\u00e9 chocante. Agora a bicicleta reveste-se de outro significado, ao questionar padr\u00f5es sociais de luxo, ostenta\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcio cujos maiores \u00edcones s\u00e3o as ind\u00fastrias automotiva e petrol\u00edfera. Neste contexto, a bicicleta tem sido utilizada para desdenhar os padr\u00f5es de beleza fabricados a cada esta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para questionar a ades\u00e3o das pr\u00f3prias mulheres ao estilo de vida que foi constru\u00edda e ainda se desenvolve consoante aos valores machistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o s\u00e3o todas as mulheres que incorporam a mentalidade difundida pelo mercado de que toda mulher independente quer ter seu pr\u00f3prio carro. N\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de ponto de vista ou de liberdade de\u00a0<\/span><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">escolha. Trata-se de uma op\u00e7\u00e3o pela igualdade social: se \u00e9 imposs\u00edvel t\u00e9cnica, econ\u00f4mica e ambientalmente que todo indiv\u00edduo possua um carro, sua posse pressup\u00f5e a disputa, a disputa que tem caracterizado historicamente a cultura patriarcal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A igualdade social, assim com a igualdade de g\u00eanero, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel de ser alcan\u00e7ada com a vida simples, a comunidade frugal, a sociedade do baixo impacto, e a bicicleta \u00e9 um s\u00edmbolo nato deste projeto. Est\u00e1 na hora, amigos e amigas, de ouvirmos as mulheres que andam de bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><em>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 32\/03<\/em><\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><em>Caderno: Cr\u00edtica a Pedal<\/em><\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><em>Autor: Andr\u00e9 Geraldo Soares<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">A cena hoje comum de uma mulher pedalando, nem todo mundo sabe, s\u00f3 tornou-se poss\u00edvel porque houve mulheres que confrontaram os h\u00e1bitos e as normas que as impediam de faz\u00ea-lo&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1653,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1647","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1647"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1647\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}