{"id":1596,"date":"2014-10-15T21:54:12","date_gmt":"2014-10-16T00:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dbike.org\/vdb\/?p=1596"},"modified":"2014-10-15T21:54:12","modified_gmt":"2014-10-16T00:54:12","slug":"promover-uso-bicicleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/promover-uso-bicicleta\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 promover o uso da Bicicleta?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">As cidades, ao redor do mundo, precisam da bicicleta. Isso \u00e9 fato e felizmente muitos prefeitos come\u00e7am a ver isso e tomam medidas que garantem cada vez mais o conforto e seguran\u00e7a de quem opta por pedalar nas cidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para que a popula\u00e7\u00e3o esteja pronta para adotar a bicicleta, \u00e9 preciso conquistar cora\u00e7\u00f5es e mentes e \u00e9 disso que trata a promo\u00e7\u00e3o ao uso da bicicleta. Uma tarefa \u00e1rdua sem d\u00favida, mas que lida diretamente\u00a0com as estruturas de poder da &#8220;sociedade do autom\u00f3vel\u201d, ou \u201cmotorcracia\u201d. Ou simplesmente a maneira como nossas cidades foram modificadas ao longo do s\u00e9culo XX para se adequarem ao fluxo de ve\u00edculos\u00a0motorizados em detrimento de todas as demais necessidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">J\u00e1 estamos em outro mil\u00eanio e ainda \u00e9 comum pensar que o fluxo de ve\u00edculos motorizados \u00e9 o \u00fanico uso poss\u00edvel das ruas, quando na verdade as ruas existem para comportar o fluxo e perman\u00eancia das pessoas,\u00a0independente do meio de transporte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Justamente esse entendimento m\u00edope das ruas \u00e9 o que contamina os cora\u00e7\u00f5es e mentes da popula\u00e7\u00e3o urbana, sejam pedestres, ciclistas e motoristas. Essa linha de pensamento aceita que os mais fr\u00e1geis devem\u00a0utilizar armaduras e se defender contra o fluxo motorizado em alta velocidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Dentro da defesa do status quo, est\u00e3o tamb\u00e9m os pr\u00f3prios ciclistas, em especial os \u201cciclocapacetistas\u201d, aqueles que defendem com f\u00e9 cega o uso do capacete e dos equipamentos de seguran\u00e7a acima de todas as coisas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Defendem o capacete para justificar um fato que n\u00e3o \u00e9 natural; pelo contr\u00e1rio, poderia muito bem ser evitado. \u00c9 um fato cultural. Usam argumentos do medo e da seguran\u00e7a para manter uma situa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9: \u201ceu\u00a0uso capacete e consegui sobreviver \u00e0 guerra do tr\u00e2nsito\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Vale questionar a pr\u00f3pria necessidade dessa \u201cguerra no tr\u00e2nsito\u201d. \u00c9 poss\u00edvel fazer um paralelo entre os \u201cciclocapacetistas\u201d que \u201cquebrou o capacete em mil partes\u201d e um soldado que volta vivo da guerra e diz que conseguiu sobreviver porque o estilha\u00e7o da bomba pegou no capacete.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Antes de discutir a necessidade do capacete para soldado, precisamos discutir se \u00e9 preciso haver guerra. Neste sentido, quem defende com unhas e dentes o uso de capacete de alguma forma est\u00e1 querendo se\u00a0\u201cadaptar\u201d \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o est\u00e1 querendo mud\u00e1-la. \u201c\u00c9 um fato triste ter guerra, mas elas existem e os soldados precisam de capacete.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Muito pelo contr\u00e1rio, ciclistas n\u00e3o s\u00e3o soldados que devem se proteger a todo custo dos inimigos. \u00c9 preciso acima de tudo ter o entendimento que o uso que se faz hoje das ruas das nossas cidades \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o e que essa distor\u00e7\u00e3o s\u00f3 ir\u00e1 ser revertida quando houver o entendimento de que acima de tudo \u00e9 preciso promover o uso da bicicleta com conforto e seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Mas o planejamento ci<span style=\"color: #333333;\">clovi\u00e1rio<\/span><span style=\"color: #3366ff;\"><span style=\"color: #333333;\">,<\/span>\u00a0<\/span>para ser bem implementado, precisa do devido apoio da popula\u00e7\u00e3o e \u00e9 esse o papel da promo\u00e7\u00e3o ao uso da bicicleta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\"><div class=\"lizatom-infobox info\"><div class=\"text\"><p> <strong>\u00c9 O PLANEJAMENTO CICLOVI\u00c1RIO QUE:<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\">1. Legitima o uso que os ciclistas fazem das ruas, como atores leg\u00edtimos no tr\u00e2nsito;<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\">2. Co\u00edbe o excesso de velocidade por parte dos ve\u00edculos motorizados;<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\">3. Aumenta as zonas compartilhadas com limite de velocidade de at\u00e9 30 km\/h;<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\">4. Constr\u00f3i ciclovias segregadas em vias de grande fluxo motorizado;<\/span><br \/><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\">5. Distribui biciclet\u00e1rios em espa\u00e7os p\u00fablicos e privados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\"><\/p><\/div><\/div><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Promover o uso da bicicleta \u00e9 simplesmente entender o potencial das bicicletas para as pessoas e as cidades e transmitir de maneira clara esses benef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o. Mas para isso \u00e9 preciso quebrar os\u00a0preconceitos e as ideias constru\u00eddas pela \u201cmotorcracia\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">L\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, vivemos \u201ca transi\u00e7\u00e3o da \u00e9poca em que os motoristas eram considerados respons\u00e1veis por todo atropelamento e em que era impens\u00e1vel pensar em culpar uma crian\u00e7a (ou seus pais) por ser morta ao brincar ou atravessar distra\u00edda uma rua, ao momento em que se tornou aceit\u00e1vel limitar a presen\u00e7a de pedestres em faixas espec\u00edficas\u201d, conforme afirmado em resenha do livro Fighting Traffic, de\u00a0Peter D. Norton.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 preciso viver a transi\u00e7\u00e3o oposta, ser a favor da bicicleta e entender que o ciclista n\u00e3o \u00e9 nem pedestre nem motorista e por isso tem outras necessidades e motiva\u00e7\u00f5es nos seus deslocamentos. Defender os desejos dos ciclistas implica ser a favor da readequa\u00e7\u00e3o das cidades em favor das pessoas e n\u00e3o na adequa\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0s cidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 31\/03<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Caderno: Mobilidade<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Autor: Jo\u00e3o Lacerda<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">As cidades, ao redor do mundo, precisam da bicicleta. Isso \u00e9 fato e felizmente muitos prefeitos come\u00e7am a ver isso e tomam medidas que garantem cada vez mais o conforto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1600,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1596","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1596"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1596"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1596\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1600"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}