{"id":156,"date":"2013-09-04T19:59:55","date_gmt":"2013-09-04T22:59:55","guid":{"rendered":"http:\/\/dbike.org\/vdb\/?p=156"},"modified":"2014-06-18T21:38:28","modified_gmt":"2014-06-19T00:38:28","slug":"pedala-prefeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/pedala-prefeito\/","title":{"rendered":"Pedala, Prefeito!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para que os administradores p\u00fablicos compreendam as dificuldades e os riscos de se pedalar na cidade e sensibilizem-se para a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ciclo-inclusivas, precisamos coloc\u00e1-los em cima das bicicletas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Quisera pud\u00e9ssemos contar com uma lei para isso. O Projeto de Lei do Senado PLS n\u00ba 480\/2007, de autoria do Senador Cristovam Buarque, estabelece que &#8220;Os agentes p\u00fablicos eleitos para os poderes executivo e legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal s\u00e3o obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica (at\u00e9 o ensino m\u00e9dio)&#8221;. N\u00e3o deveria esta ideia ser aplicada tamb\u00e9m \u00e0 sa\u00fade e ao transporte p\u00fablicos? E uma emenda que estendesse tal obriga\u00e7\u00e3o a, pelos menos, todos os cargos de primeiro escal\u00e3o &#8211; do governo federal, do governo estadual e da prefeitura &#8211; n\u00e3o faria dessa lei, na hip\u00f3tese remota da aprova\u00e7\u00e3o do projeto, uma pe\u00e7a revolucion\u00e1ria?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Bem, se esperarmos por uma lei, os administradores das nossas cidades nunca v\u00e3o pisar na avenida&#8230; Ent\u00e3o, se quisermos que um Prefeito e seus Secret\u00e1rios de Transportes e de Planejamento Urbano cumpram o percurso casa-trabalho contando apenas com suas pr\u00f3prias for\u00e7as motoras, precisamos, mais que convid\u00e1-los, desafi\u00e1-los!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 preciso esclarecer-lhes que n\u00e3o serve fazer um passeio de um quil\u00f4metro, em uma rua livre de carros, com escolta policial, sobre uma bicicleta sofisticada, emprestada por um empres\u00e1rio do ramo num feriado com reluzente c\u00e9u azul. Para conhecer a mobilidade cicl\u00edstica, o prefeito precisa praticar a realidade do tr\u00e2nsito em situa\u00e7\u00f5es normais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O prefeito tem que ir sozinho, em dias de semana, com mochila nas costas ou no bagageiro, pelas cruas ruas da cidade. Ao chegar ao gabinete, tem que procurar um poste para cadear sua bicicleta e ficar espionando da janela, de vez em quando, pra ver se ela ainda est\u00e1 l\u00e1&#8230; Por falar em estacionamento, que tal agregar \u00e0 experi\u00eancia uma integra\u00e7\u00e3o intermodal? Deixar a bicicleta em um terminal para tomar um \u00f4nibus e completar a viagem!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No percurso, ele aprender\u00e1 bastante sobre as necessidades dos trabalhadores e aposentados, das donas de casa e dos estudantes que se locomovem por pedais. Grande fluxo de motorizados, bueiros abertos, aus\u00eancia de sinaliza\u00e7\u00e3o, cruzamentos que parecem ratoeiras e sem\u00e1foros sem tempo para n\u00e3o-motorizados s\u00e3o algumas situa\u00e7\u00f5es que demonstram que seus subalternos n\u00e3o pensaram nos ciclistas ao projetar o sistema vi\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">As vias p\u00fablicas tornaram-se, por atos e omiss\u00f5es dos gestores p\u00fablicos, territ\u00f3rio priorit\u00e1rio dos ve\u00edculos motorizados. Por isso, somada \u00e0 p\u00e9ssima infraestrutura vi\u00e1ria, o comportamento dos motoristas no tr\u00e2nsito faz, do simples ato de pedalar, quase uma miss\u00e3o heroica. O descuido, o desrespeito e mesmo a hostilidade dos motoristas demonstram que o componente educacional tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 entre as prioridades dos gestores da mobilidade urbana. Portanto, o chefe do executivo poder\u00e1, na sua intera\u00e7\u00e3o, sentir o vento arrepiante da alta velocidade dos \u00f4nibus que passam coladinhos, o temor de que uma porta de carro se abra a qualquer momento, o susto quando um carro cortar a sua frente ao entrar numa esquina ou ao sair de uma garagem e o sufoco da fuma\u00e7a e da poeira &#8211; entre outras sensa\u00e7\u00f5es que reprimem o desejo, de muitas pessoas, de pedalar e de contribuir para aliviar o caos insuport\u00e1vel do tr\u00e2nsito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Muitos gestores p\u00fablicos s\u00e3o ap\u00e1ticos com os problemas urbanos simplesmente porque n\u00e3o utilizam servi\u00e7os p\u00fablicos. Eles possuem no\u00e7\u00f5es abstratas, recolhidas atrav\u00e9s de relatos e das reclama\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o vivenciam a cidade real. Para demonstrar confian\u00e7a na estrutura oferecida para se viver e produzir em uma cidade, eles deveriam dar o exemplo e utiliz\u00e1-la. Uma vez que eles, espontaneamente, n\u00e3o v\u00e3o faz\u00ea-lo, cabe \u00e0 sociedade incit\u00e1-los &#8211; e, para isso, meios n\u00e3o faltam: carta oficial protocolada, abaixo-assinado, bombardeio de mensagens ao &#8220;Fale conosco&#8221; da prefeitura, campanha em blogs, releases para a imprensa, etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Desta forma, eles compreender\u00e3o que os maiores problemas para usar a bicicleta n\u00e3o derivam do clima, do relevo ou da inaptid\u00e3o f\u00edsica do usu\u00e1rio, mas das pol\u00edticas p\u00fablicas por eles capitaneadas. Compreender\u00e3o tamb\u00e9m a qualidade dos cidad\u00e3os que, por op\u00e7\u00e3o ou necessidade, adotam a bicicleta como uma companheira no cotidiano desafio de ir e vir. E ent\u00e3o, sr. prefeito, vai encarar?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistabicicleta.com.br\" target=\"_blank\">Revista Bicicleta<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 06\/01<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Autor: Andr\u00e9 Geraldo Soares<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"post-excerpt\">Para que os administradores p\u00fablicos compreendam as dificuldades e os riscos de se pedalar na cidade e sensibilizem-se para a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ciclo-inclusivas, precisamos coloc\u00e1-los em cima das bicicletas&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":311,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.dbike.org.br\/vdb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}